Portão eletrônico

Portão eletrônico fazendo barulho: o que cada som significa

Rangido, estalo, zumbido ou tranco: cada barulho do portão eletrônico aponta uma peça diferente. Veja o que cada som significa e o que fazer em cada caso.

Roldana de portão desgastada sobre trilho enferrujado e cheio de terra em portão residencial

Quem tem portão eletrônico decora o som dele. É automático: você escuta o motor lá da calçada, sabe se abriu, sabe se travou. Por isso, quando o barulho muda, a pessoa percebe na hora. Ela só não sabe dizer o que mudou.

E é aí que a maioria erra: espera parar de funcionar para chamar alguém.

Barulho novo é aviso. Portão não estraga do nada, ele reclama antes. Em boa parte dos chamados que atendo em Amambai e Dourados, dava para ter resolvido semanas antes, com peça barata, se alguém tivesse escutado o portão.

Por que o portão eletrônico começa a fazer barulho?

Porque alguma peça saiu do alinhamento, secou ou desgastou. O motor em si raramente é o culpado. Ele é a parte mais protegida do conjunto. Quem sofre é o que fica exposto: roldana, trilho, cremalheira, corrente, rolamento. Tudo isso vive na rua, pegando sol, chuva, poeira e terra o ano inteiro.

Quando essas peças estão certas, o portão faz um ruído constante e discreto. Quando alguma sai do lugar, o motor precisa forçar mais para vencer a resistência. O barulho é o som dessa força extra.

E aqui está o ponto que quase ninguém enxerga: esse esforço extra vai para o motor, que esquenta, e para a placa, que puxa mais corrente. Portão barulhento não é só chato. Ele está queimando o próprio motor devagar.

O que significa cada barulho do portão eletrônico?

Cada som costuma vir de um lugar específico. Esta é a leitura rápida:

Barulho Onde geralmente está
Rangido agudo, contínuo Roldana seca ou trilho sujo
Estalo seco e ritmado Cremalheira ou pinhão
Zumbido com o portão parado Capacitor ou portão travado
Tranco no fim do movimento Fim de curso desregulado
Raspagem no chão Alinhamento ou trilho sujo
Estalo elétrico e cheiro Parte elétrica, desligue

Agora o detalhe de cada um.

Rangido agudo e contínuo

É roldana seca ou trilho sujo, o caso mais comum de todos. O som é aquele chiado alto que o vizinho escuta, e costuma piorar aos poucos ao longo dos meses.

Roldana boa gira. Roldana seca arrasta. Quando o rolamento perde a graxa, ele raspa por dentro e a peça passa a deslizar em vez de rolar. Se ficar assim muito tempo, achata de um lado e não adianta mais lubrificar, tem que trocar.

Em portão basculante, esse mesmo chiado costuma vir do rolamento do braço ou da corrente ressecada.

Estalo seco e ritmado

Esse é da cremalheira, e merece atenção. A cremalheira é aquela barra dentada que fica no portão deslizante e engata no pinhão do motor. Se o estalo tem ritmo, sempre no mesmo trecho do percurso, é dente batendo errado.

Pode ser cremalheira desalinhada, folga entre ela e o pinhão, parafuso solto ou dente já quebrado. Vale olhar: muitas vezes dá para ver o dente lascado a olho nu.

Não deixe correr. Cremalheira desalinhada come o pinhão, e pinhão é peça do motor.

Zumbido com o portão parado

O motor zumbe, mas o portão não sai do lugar, e isso quase sempre é capacitor. O capacitor é o componente que dá o empurrão inicial para o motor arrancar. Quando ele enfraquece, o motor recebe energia, tenta girar e não consegue vencer a inércia. O resultado é aquele zumbido parado.

Sinal clássico: começa a falhar só de manhã, no frio, e depois passa a acontecer o dia todo.

Existe outra possibilidade: portão travado por alguma coisa no trilho faz o motor soar igual. Vale checar antes.

De qualquer forma, não insista no controle. Motor zumbando é motor esquentando parado, e isso queima.

Tranco ou batida no fim do movimento

Aqui o problema é o fim de curso. Portão bem regulado desacelera e para. Portão com fim de curso desregulado vai até o fim e bate.

No deslizante, o fim de curso costuma ser um sensor que lê um ímã fixado no portão. Ímã que soltou, escorregou ou perdeu força faz o motor não saber onde parar.

Cada batida dessas manda impacto para o pinhão, para a cremalheira e para a estrutura. É desgaste puro, várias vezes por dia.

Raspagem no chão

Esse é de alinhamento. Portão deslizante não deveria encostar no chão em ponto nenhum. Se está raspando, ou o trilho tem sujeira acumulada, ou o portão está fora de esquadro, ou uma roldana travou e o portão baixou daquele lado.

Trilho de rua junta de tudo: areia, pedrisco, folha, terra. Depois de chuva forte é o campeão de chamado.

Estalo elétrico ou cheiro de queimado

Esse é o único da lista que é urgente. Estalo seco vindo da caixa do motor, ou qualquer cheiro de queimado, significa parar agora: desligue o disjuntor do portão e não use até alguém olhar.

Contato queimado, placa com problema, capacitor estufado. Nenhum melhora sozinho, e todos podem virar coisa pior. Aqui não tem inspeção caseira que valha.

Qual barulho é normal e qual não é?

O normal é constante. Portão saudável faz o mesmo som toda vez, mês após mês, e você nem repara nele.

O que importa não é o volume. É a mudança. Portão que sempre foi barulhento e continua igual provavelmente está bem. Portão silencioso que começou a chiar semana passada tem algo acontecendo, mesmo que ainda esteja abrindo normal.

Confie no seu ouvido. Você escuta esse portão todo dia. Se soou diferente, soou diferente.

Dá para resolver sozinho?

Uma parte sim. Antes de chamar alguém, vale fazer isto:

  1. Limpe o trilho. Vassoura e água. Resolve boa parte dos rangidos e das raspagens.
  2. Olhe as roldanas. Gire uma com a mão, com o portão destravado. Se estiver dura ou com folga, achou.
  3. Repare no padrão. O barulho é sempre no mesmo trecho do percurso? Só de manhã? Só na abertura? Isso já entrega muita coisa.
  4. Confira os parafusos da cremalheira e do suporte do motor.

O que não fazer: não use óleo comum nem WD-40 no trilho. Óleo fino evapora rápido e, pior, gruda poeira. Em uma semana você tem uma pasta de terra que desgasta mais do que se estivesse seco. Trilho quer estar limpo, e cada tipo de peça pede seu lubrificante certo.

E não force o controle quando o portão zumbe. Cada tentativa é um pouco a mais de vida útil do motor indo embora.

Quando chamar um técnico?

Chame quando o barulho continuar depois de limpar o trilho, quando houver estalo ritmado, quando o motor zumbir sem mover o portão, quando ele bater no fim do curso ou quando tiver qualquer cheiro de queimado.

Nesses casos é preciso medir e abrir, porque olhar não resolve. Capacitor só se avalia com instrumento, e cremalheira precisa de folga certa, não de aperto no olho.

Uma revisão de rotina evita quase tudo isso. Nela se confere alinhamento, roldanas, trilho, folga da cremalheira, fim de curso, lubrificação e a parte elétrica do motor. Sai bem mais barato que trocar um motor queimado por excesso de esforço.

Se o seu portão em Amambai ou Dourados mudou de som e você já limpou o que dava, mande uma mensagem no WhatsApp (67) 98483-9207 contando o barulho e em que momento ele acontece. Dá para adiantar bastante o diagnóstico por ali, e eu vou até você resolver.

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