Câmeras e CFTV

Quantas câmeras de segurança a sua casa precisa de verdade

Não existe número fixo de câmeras de segurança por casa. O que define é a quantidade de acessos, não o tamanho. Veja como contar os pontos certos.

Fachada de casa residencial com duas câmeras de segurança instaladas sob o beiral cobrindo o portão e a garagem

Essa é a primeira pergunta de quase todo mundo que liga querendo instalar câmera. E é uma pergunta difícil de responder por telefone, porque a resposta honesta não é um número: é uma conta.

A maioria das casas que atendo em Amambai e Dourados resolve bem com quatro câmeras. Algumas precisam de duas. Outras, de oito. E o que separa uma da outra não é o tamanho da casa.

Quantas câmeras uma casa precisa?

Uma casa precisa de uma câmera para cada ponto de entrada, mais uma para cada área externa onde alguém pode ficar escondido. Essa é a regra prática que eu uso em todo projeto. Some os acessos, some os cantos cegos, e você chega no número.

Na prática, uma casa comum de bairro residencial tem: portão social, portão de garagem, quintal dos fundos e alguma lateral ou corredor. Deu quatro. Por isso quatro é o número que mais aparece, não porque é um pacote bonito de vender.

Por que o tamanho da casa não define o número de câmeras?

Porque ladrão não entra por metro quadrado, entra por acesso. Uma casa grande com muro alto, um portão só e nenhuma lateral aberta pode precisar de menos câmera que um sobrado menor com garagem, portãozinho de pedestre, corredor lateral e um muro baixo nos fundos.

Já fiz projeto de casa de esquina com terreno pequeno que precisou de seis pontos, porque esquina tem duas faces de rua. E já fiz casa bem maior, no meio da quadra, com três câmeras cobrindo tudo que interessava.

Conte portas, portões, janelas de fácil acesso e cantos. Não conte cômodos.

Quais pontos toda casa deveria cobrir?

Existem três pontos que praticamente nenhum projeto residencial deveria deixar de fora.

O portão e a garagem

É por onde entra quase todo mundo, de visita a quem não foi convidado. Também é onde acontece a abordagem quando a pessoa está chegando ou saindo de carro, com o portão aberto e a atenção dividida. Uma câmera bem posicionada aqui costuma ser a mais útil do sistema inteiro.

A porta social ou o corredor de entrada

O caminho entre o portão e a porta de casa. Se alguém pulou o muro, é por aqui que ele vai passar. É também o ponto que melhor registra rosto, porque a pessoa vem andando de frente e devagar.

Os fundos

O lugar mais esquecido e o preferido de quem entra. Fundos costumam ter muro sem cerca, área de serviço, janela de banheiro, portãozinho de manutenção. E ninguém olha para lá.

Depois desses três, o resto depende da casa: lateral, quintal grande, área de piscina, telhado baixo com acesso ao vizinho.

Mais câmeras significa mais segurança?

Não. Câmera mal posicionada não protege nada, e é fácil ter oito câmeras ruins cobrindo o mesmo pedaço de quintal enquanto a lateral onde o cara entrou não tem nenhuma.

O erro mais comum que eu encontro é o oposto do que as pessoas imaginam. Não é falta de câmera. É câmera demais olhando para o lugar errado: três apontadas para a frente da casa e zero nos fundos. Ou todas na altura errada.

Duas câmeras bem colocadas valem mais que seis espalhadas no chute.

Qual a diferença entre câmera de visão geral e câmera de identificação?

Uma câmera de visão geral mostra o que aconteceu. Uma câmera de identificação mostra quem fez. São funções diferentes e a maioria dos projetos precisa das duas.

Tipo Onde fica Serve para
Visão geral Alta, olhando o quintal ou a rua Ver movimentação, entender o que houve
Identificação Baixa, na altura do rosto, no caminho obrigatório Reconhecer rosto, ler placa

Aquele vídeo de assalto que você vê no grupo do bairro, onde dá para ver tudo mas ninguém reconhece ninguém, é sistema só com visão geral. A câmera está lá em cima, no canto do muro, pegando o quintal inteiro. Bonito de ver, inútil para identificar.

Uma câmera, no caminho por onde a pessoa obrigatoriamente passa, na altura certa, muda completamente o valor do sistema.

Posso apontar a câmera para a rua ou para o vizinho?

Para a rua, sim, com bom senso. Para dentro da casa do vizinho, não.

A LGPD (Lei 13.709/2018) prevê no artigo 4 uma exceção para o uso exclusivamente particular e não econômico dos dados, e a câmera doméstica entra nesse caso. Isso não é passe livre. Câmera que enquadra a área interna do vizinho, a janela dele ou o quintal dele vira problema, e problema de vizinhança é o tipo de dor de cabeça que não vale a economia de girar a câmera dois palmos.

Na hora do projeto dá para resolver isso ajustando ângulo e altura, ou usando máscara de privacidade no gravador. É rápido de fazer quando se faz na instalação.

O que define o orçamento além da quantidade?

A quantidade de câmeras é só uma parte da conta. O que pesa junto:

  • A distância até o gravador. Cabo passa por dentro do forro, por eletroduto, pelo telhado. Casa térrea com forro acessível é uma coisa, sobrado com laje é outra.
  • Onde vai ficar o DVR. Precisa de energia, de ponto de rede e de um lugar protegido, porque gravador na sala é a primeira coisa que some.
  • Quantos dias de gravação você quer guardar. Isso define o HD, e é uma decisão que muita gente só percebe que errou quando precisa de um vídeo de duas semanas atrás.
  • Se já existe infraestrutura. Se tem eletroduto, se tem cabo antigo aproveitável, se tem sistema anterior.

Por isso eu não passo preço por telefone antes de ver. Não é enrolação, é que o mesmo número de câmeras pode ter serviços bem diferentes por trás.

Se você está pensando em instalar e não sabe por onde começar, a conversa mais útil não é "quantas câmeras", é "quais os acessos da sua casa". Manda uma mensagem no WhatsApp (67) 98483-9207 contando como é o seu imóvel, ou escreva para contato@afinstalacao.com.br. Eu vejo no local, aponto os pontos que fazem diferença e você decide com o desenho na mão.

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