Segurança em geral

Furto em Amambai: o que dizem os números da Sejusp/MS

No ano fechado de 2025, Amambai registrou 282 furtos e 9 roubos no painel da Sejusp/MS. Veja o que esse padrão muda na proteção da sua casa.

Muro de residência com quintal profundo em cidade do interior do Mato Grosso do Sul no fim da tarde

Toda vez que eu converso sobre segurança com alguém de Amambai, escuto a mesma frase: aqui é tranquilo. Em boa medida é verdade, e o dado oficial confirma. Só que o mesmo dado mostra outra coisa, que quase ninguém olha, e é justamente essa que decide o que vale a pena instalar na sua casa.

Os números daqui para baixo saem do painel de estatísticas da Sejusp/MS, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. É dado público, aberto, e qualquer pessoa pode conferir. Uso sempre ano fechado, nunca o parcial do ano em curso, porque parcial engana para os dois lados.

Quantos furtos e roubos Amambai registra por ano?

Segundo o painel da Sejusp/MS, no ano fechado de 2025 Amambai registrou 282 furtos e 9 roubos. A proporção pesa mais que o total: são mais de 30 furtos para cada roubo. O crime que de fato acontece na cidade é o crime sem confronto, aquele em que o autor age quando calcula que não tem ninguém por perto.

Isso não é diferença de vocabulário jurídico. Muda o projeto inteiro.

Furto e roubo são a mesma coisa?

Não. Furto é subtrair coisa de outra pessoa sem violência e sem ameaça, o que está no artigo 155 do Código Penal. Roubo é a mesma subtração feita com violência ou grave ameaça, no artigo 157. Um acontece na sua ausência. O outro acontece na sua frente.

Contra roubo, boa parte do que se pode fazer é registro, iluminação e rotina. Contra furto existe algo mais eficaz: fazer o sujeito escolher outra casa. Furto é crime de oportunidade. Quem pula um muro às três da manhã está fazendo uma conta rápida de tempo, barulho e chance de ser visto. Todo equipamento de segurança que presta mexe nessa conta.

A situação em Amambai está piorando?

A série não sustenta essa leitura. Pelo painel da Sejusp/MS, os furtos registrados em Amambai foram 324 em 2023, 247 em 2024 e 282 em 2025. Subiu 35 casos de 2024 para 2025, e ainda assim ficou abaixo de 2023. É oscilação de cidade pequena, não curva de explosão.

Ano fechado Furtos registrados em Amambai
2023 324
2024 247
2025 282

Num município com 25.429 moradores na área urbana, uma variação de 30 ou 40 casos já mexe muito no percentual. Por isso eu desconfio de quem pega um ano isolado para vender medo, e também de quem pega um ano bom para dizer que não precisa de nada.

Amambai é mais segura que Dourados?

Em número absoluto parece uma distância enorme: 282 furtos contra 2.730 em Dourados, no mesmo ano fechado de 2025. Mas Dourados tem 228.516 moradores urbanos e Amambai tem 25.429. Feita a conta proporcional, dá perto de 11 furtos por mil moradores em Amambai e quase 12 em Dourados. A diferença é pequena.

Onde a diferença aparece de verdade é no roubo: 9 casos em Amambai e 146 em Dourados, ou seja, aproximadamente 3,5 roubos por dez mil moradores urbanos contra 6,4. Quase o dobro. Traduzindo: o risco de furto é parecido nas duas cidades, e o risco de ser abordado por alguém é bem menor em Amambai.

Duas ressalvas honestas. O painel conta ocorrência registrada, não crime acontecido, e furto pequeno muitas vezes não vira boletim. E eu usei população urbana como base de comparação, que é onde esse tipo de ocorrência se concentra. Nada disso é precisão de laboratório. Serve para ordem de grandeza, e ordem de grandeza é o que muda decisão.

Se você quer o desenho técnico das duas cidades, escrevi sobre isso em segurança eletrônica em Amambai e Dourados.

E os números de Caarapó?

Não vou chutar. O painel da Sejusp/MS publica por município e o de Caarapó está lá para consulta, mas eu só cito número que apurei, e esse eu não apurei. O que dá para afirmar é o contexto: Caarapó tem 23.455 moradores urbanos e 32.748 no município, porte parecido com o de Amambai na área urbana, com PIB municipal maior.

E tem uma particularidade que muda o projeto: o município tem três distritos, a sede, Cristalina e Nova América, e fica no eixo da BR-163, a 53 km de Dourados e 78 km de Amambai. Muita propriedade fica longe do movimento, e distância é o melhor amigo do furto. Quando eu faço segurança eletrônica em Caarapó, eu começo olhando o fundo do terreno e o galpão, não a fachada.

O que realmente reduz furto numa casa?

Encarecer a tentativa. São três moedas: tempo, barulho e exposição. Se entrar demora, faz ruído e deixa a pessoa visível, ela desiste e procura a casa do lado. Furto é escolha, e quem escolhe compara duas ou três casas na mesma rua antes de agir. É uma verdade incômoda, mas é assim que funciona.

Cada camada de proteção mexe numa dessas moedas:

Camada O que faz contra furto Limite
Muro e portão em ordem Atrasa a entrada Não avisa ninguém
Cerca elétrica Faz desistir em cima do muro e sinaliza Depende de aterramento e manutenção
Alarme com sensor Detecta quem já passou e faz barulho Não impede a entrada
Câmera Identifica e serve de prova Registra o prejuízo, não evita
Poda de árvore e iluminação Tira o esconderijo Custo baixo, e muita gente esquece

Contra furto, as duas camadas que rendem mais por real gasto são cerca elétrica e alarme, nessa ordem. A primeira age antes da entrada, a segunda avisa quando alguém já passou. Câmera eu instalo, gosto e recomendo, só que ela chega depois na fila, porque não muda a decisão de quem está do lado de fora.

Por onde o furto entra numa casa daqui?

Quase sempre pelo fundo. Em Amambai isso tem explicação no traçado da cidade: muitas vilas nasceram de loteamento de chácara particular, e loteamento de chácara costuma gerar lote fundo. O resultado é muro comprido, quintal profundo e um fundo de terreno longe da janela do quarto e longe do movimento da rua.

O Jardim Panorama é um exemplo claro. Saiu do loteamento da chácara do ex-prefeito Orlando Viol e já reunia cerca de 400 famílias em 2019, e o nome vem da vista da cidade desde a MS-156. Esse fundo de lote é o ponto de menor risco para quem quer entrar, e é exatamente onde a maioria das instalações economiza material. Perímetro se protege inteiro, ou não se protege.

Quem tem chácara ou área rural tem outra lista de alvos: galpão, bomba, ferramenta, fiação. E vale lembrar do temporal de 22 de setembro de 2025, que rompeu cabos e deixou Amambai sem energia. Sistema de segurança com bateria vencida simplesmente desliga numa noite dessas. Isso se resolve antes, na manutenção, não no meio do apagão.

Vale investir em segurança numa cidade de 25 mil habitantes?

Vale, e a razão está nos próprios números: a taxa de furto por morador em Amambai é quase igual à de Dourados. Cidade calma é menos violenta, não é imune a furto. O que muda não é o "se", é o "o quê". Aqui a prioridade é perímetro e detecção, não um projeto grande de câmeras.

Se você está começando do zero e não sabe a ordem das coisas, montei um caminho em por onde começar a proteger a casa.

Como conferir o número da sua cidade

  1. Procure o painel de estatísticas da Sejusp/MS.
  2. Filtre pelo seu município e escolha um ano fechado, não o ano corrente.
  3. Compare furto com roubo. Se furto domina, seu problema é oportunidade, e oportunidade se resolve no muro.

Fazer isso uma vez por ano informa mais que grupo de WhatsApp. O grupo mostra o caso que assustou. O painel mostra o padrão.

Eu trabalho sozinho e vejo cada caso no local, porque muro, fundo de lote e ponto de energia não se avaliam por foto. Em Amambai e Dourados eu vou olhar sem cobrar a visita; em Caarapó o deslocamento entra na conta, e eu falo isso antes de marcar. Chame no WhatsApp (67) 98483-9207 ou no contato@afinstalacao.com.br.

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