Câmeras e CFTV

Câmera de segurança à noite: infravermelho ou visão colorida

O infravermelho enxerga no escuro total, mas em preto e branco. A visão colorida mostra cor e detalhe, mas precisa de luz. Veja qual usar em cada ponto.

Câmera de segurança branca instalada na fachada de uma casa à noite com LEDs infravermelhos acesos ao redor da lente

Toda câmera vende bem de dia. O problema aparece às três da manhã, quando o cliente abre a gravação para ver quem mexeu no portão e encontra um vulto branco sem rosto. A pergunta que eu mais escuto em Amambai e Dourados é essa: infravermelho ou visão colorida, qual é melhor à noite?

A resposta honesta é que depende do ponto. E na maioria das casas, a melhor resposta é usar os dois, cada um onde funciona.

Como a câmera de segurança enxerga no escuro?

De dois jeitos, e eles são bem diferentes. No infravermelho, a câmera acende LEDs ao redor da lente que emitem uma luz que o olho humano não enxerga. O sensor enxerga. Ela ilumina a cena por conta própria e entrega uma imagem em preto e branco, mesmo no escuro absoluto.

Na visão colorida, não tem truque: a câmera só está aproveitando a luz que já existe no lugar. Poste da rua, lâmpada da varanda, luz da garagem. O sensor é mais sensível e a lente abre mais, então ela consegue formar imagem com pouca luz e manter a cor. Sem luz nenhuma, ela não faz milagre. Alguns modelos resolvem isso acendendo uma luz branca própria quando detectam movimento.

Reparou que os LEDs de algumas câmeras têm um brilho vermelho fraco à noite? É o infravermelho de 850 nanômetros, que fica bem na borda do que o olho capta. Existe também o de 940 nanômetros, invisível, mas ele ilumina menos e por isso costuma alcançar menos distância.

Infravermelho ou visão colorida: qual enxerga melhor à noite?

Cada um ganha em uma coisa. Não existe o melhor absoluto, e quem promete isso está vendendo, não instalando.

Infravermelho Visão colorida
Escuro total Funciona Não funciona sem luz
Cor da roupa, do carro Não mostra Mostra
Alcance à noite Maior Depende da luz do local
Reflexo em muro e vidro Atrapalha bastante Atrapalha pouco
Insetos atraídos à noite Atrai Atrai menos

O ponto que quase ninguém pensa antes de comprar: em preto e branco você identifica o que aconteceu, em cor você identifica quem foi. Uma gravação em infravermelho mostra que duas pessoas pularam o muro, a que horas e para onde foram. Uma gravação colorida mostra que era uma moto vermelha e um casaco azul. Na hora de levar para o boletim de ocorrência, isso pesa.

Quando o infravermelho é a melhor escolha?

Quando o ponto é escuro de verdade e vai continuar escuro. Fundo de quintal, corredor lateral, área de serviço nos fundos, chácara, barracão, divisa com terreno baldio. Nesses lugares não tem luz da rua chegando e não faz sentido deixar uma lâmpada acesa a noite inteira só para a câmera.

Também é a escolha certa em pontos onde acender luz incomoda alguém, tipo a janela do quarto do vizinho ou o seu próprio quarto.

Um detalhe daqui da região: o infravermelho atrai inseto. Nas noites quentes, mariposa e mosquito voam na frente da lente e disparam a detecção de movimento a cada dois minutos. O celular do cliente vira um festival de notificação. Dá para amenizar afastando a câmera da parede, ajustando a área de detecção e mantendo a lente limpa, mas quem mora perto de área verde precisa saber disso antes.

Quando vale a pena a visão colorida?

Quando o ponto já tem alguma luz e o rosto ou a placa importam. Frente da casa com poste na calçada, entrada da garagem, portão social, fachada de comércio, estacionamento, recepção. Se tem luz ali, jogar fora a cor é desperdício.

É a escolha óbvia em comércio. Loja fechada à noite, com a iluminação de vitrine ou de segurança acesa, entrega imagem colorida sem esforço nenhum. E se acontecer alguma coisa, a cor faz diferença enorme na identificação.

E a câmera com luz branca própria?

Ela acende um refletor quando detecta movimento e mantém a cor mesmo no escuro. Funciona, e funciona bem em ponto de acesso: portão, garagem, entrada. A luz acendendo já espanta quem estava pensando em tentar alguma coisa.

Onde ela não serve: em área que tem movimento a noite toda. Se tem cachorro no quintal, a luz vai acender e apagar sem parar, incomodando você e o vizinho. Nesse caso, infravermelho.

O modo híbrido resolve tudo?

Ajuda bastante, mas não é mágica. A câmera híbrida trabalha em cor enquanto tem luz suficiente e cai para infravermelho quando escurece demais. Boa parte dos modelos deixa você escolher o comportamento, e é aí que a configuração na hora da instalação faz diferença. Câmera híbrida entregue no automático costuma ficar trocando de modo no fim da tarde e no amanhecer, gerando gravação inútil.

Por que a imagem noturna fica branca ou apagada?

Quase sempre é posicionamento, não defeito da câmera. Esses são os erros que mais encontro quando me chamam para arrumar instalação feita por outra pessoa:

  1. Câmera muito perto do muro ou do beiral. O infravermelho bate na parede, volta para a lente e estoura a imagem. Fica aquele borrão branco no canto e o resto escuro.
  2. Câmera atrás de vidro. O infravermelho reflete no vidro e a câmera enxerga o próprio brilho. Câmera para área externa vai do lado de fora, ponto.
  3. Câmera apontada contra o poste. O sensor tenta compensar a luz forte e apaga todo o resto. Quem passa vira silhueta preta.
  4. Lente suja ou com teia. Teia na frente da lente pega o infravermelho e vira uma névoa branca. É o tipo de coisa que aparece devagar, ao longo de meses, e o dono só percebe quando precisa da gravação.
  5. Altura errada. Câmera alta demais grava topo de cabeça e boné. Para reconhecer rosto, ela precisa estar mais na altura da pessoa, não no beiral do telhado.

Repare que nenhum desses problemas se resolve trocando de câmera. Se a instalação estiver errada, o modelo mais caro vai errar igual.

O que decide mesmo a qualidade da imagem à noite?

A luz do local e onde a câmera está apontada. Nessa ordem. Depois vem o equipamento.

Um projeto de câmeras bem feito começa olhando o que já existe: onde tem poste, o que fica aceso a noite toda, onde bate sombra, quais são os pontos por onde alguém realmente entraria. Só depois se decide o que vai em cada lugar. Na prática, a maioria das casas que atendo fica com uma mistura: cor na frente, onde tem luz e onde o rosto importa, e infravermelho no fundo e nas laterais escuras.

Se você está montando o sistema agora ou já tem câmeras que não mostram nada útil à noite, me chama no WhatsApp (67) 98483-9207 ou manda um e-mail para contato@afinstalacao.com.br. Eu vou até o local, olho a luz que já tem e digo o que faz sentido em cada ponto, sem empurrar equipamento que você não precisa.

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